Gráfico das doze nomenclaturas de faixa de tecido encontradas nas cartelas de 20 fábricas do catálogo Toth Móveis — A, B, C, Gold, Rubi, Ouro, Premium, Signature, Master, Padrão e Solares — mostrando que não existe escala única de faixa no mercado.

Cadeiras, poltronas e sofás

Faixa de Tecido: Por que o Mesmo Móvel Muda de Preço, em 1.080 Amostras

Toth Móveis Publicado em

Faixa de tecido é preço, não desempenho. A letra ou o nome que aparece na cartela — grupo A, B, Gold, Rubi — diz quanto aquela fábrica cobra por aquele tecido. Não existe norma, no Brasil ou fora dele, que defina o que é um “grupo A” — e por isso o grupo A de uma fábrica não tem relação nenhuma com o grupo A de outra.

Lemos a nossa própria biblioteca de acabamentos: 1.080 amostras de tecido e couro, em 41 cartelas de 20 fábricas diferentes. Elas usam 12 nomenclaturas distintas para a mesma ideia. Este guia mostra o que a faixa realmente significa, o que de fato se mede num tecido de estofado, e as três perguntas que comparam dois tecidos de verdade.

1.080amostras de tecido e couro na biblioteca
20fábricas, cada uma com a sua cartela
12nomes diferentes para a mesma ideia de faixa

O que a faixa é — e o que ela não é

Gráfico das doze nomenclaturas de faixa de tecido encontradas nas cartelas de 20 fábricas do catálogo Toth Móveis — A, B, C, Gold, Rubi, Ouro, Premium, Signature, Master, Padrão e Solares — mostrando que não existe escala única de faixa no mercado.
As doze nomenclaturas de faixa que encontramos nas cartelas de 20 fábricas.

Procuramos a definição de “faixa”, “grupo” ou “categoria de tecido” nos documentos que regem o setor — as diretrizes de desempenho do mercado corporativo, o padrão americano de tecidos residenciais de estofado e o regulamento têxtil do Mercosul. Não existe em nenhum deles. A faixa é uma organização comercial de preço, criada por cada fábrica.

A consequência prática é direta: comparar “grupo A” de uma marca com “grupo A” de outra não significa nada. Pode ser o tecido mais barato de uma e um dos mais caros de outra. O que se compara é o ensaio, não a letra.

O número da abrasão, e a carga que o valida

O ensaio mais citado é o Martindale, definido pela série ISO 12947. Quem gera o número que o mercado divulga é a parte 2, Determination of specimen breakdown: o tecido é esfregado contra um abrasivo num movimento que desenha uma figura de Lissajous — multidirecional, como o corpo se move — até romper.

Comparação das duas cargas do ensaio Martindale pela ISO 12947-2:2016: 795 gramas, 12 kPa, para estofamento, e 595 gramas, 9 kPa, para vestuário — o dado que decide se um número de abrasão serve para móvel estofado.
A norma especifica duas cargas. Só uma delas é de estofamento.

É aqui que quase todo anúncio falha. A ISO 12947-2 especifica duas cargas: 795 g, que dá 12 kPa, para roupa profissional, estofamento, roupa de cama e uso técnico; e 595 g, 9 kPa, para vestuário e têxteis domésticos exceto estofamento. Um número medido a 9 kPa é de roupa — e não descreve o sofá da sua sala.

Os dois ensaios de abrasão mais citados — e por que os números não se convertem.
Martindale Wyzenbeek
Norma ISO 12947-2:2016 ASTM D4157
Movimento multidirecional (figura de Lissajous) vai e vem, em uma direção
Abrasivo tecido de lã padrão algodão cru (cotton duck)
Unidade esfregos até a ruptura duplos esfregos

A entidade que publica os dois números escreve, com todas as letras, que não há correlação entre eles. Não existe fator de conversão: um tecido com 50.000 num método não tem equivalente calculável no outro.

Três coisas que quase ninguém conta sobre esse número. Primeira: as faixas de 15, 20, 30 ou 40 mil ciclos que se vê em anúncio não são norma — são diretriz voluntária de uma associação setorial americana. Segunda: a própria entidade registra que o resultado pode variar 60% ou mais entre ensaios do mesmo tecido. Terceira: quem publica resultado acima da diretriz de alto tráfego é obrigado, por essa diretriz, a imprimir um aviso de que número alto de abrasão não indica vida útil.

O que mais se mede num tecido

Abrasão é um item de uma lista, não a lista inteira. Um tecido de estofado bem especificado carrega também:

O que se mede além da abrasão, e o que cada ensaio responde.
Ensaio O que responde Escala
Pilling (ISO 12945) se vai formar bolinha na superfície nota de 1 a 5
Solidez à luz (ISO 105-B02) se a cor desbota com sol escala de lã azul — cada degrau é o dobro do anterior
Solidez à fricção se a cor passa para a roupa, a seco e a úmido escala cinza, 1 a 5
Resistência à ruptura e ao esgarçamento se o tecido rasga e se a costura abre força, em libras ou newton

A escala da solidez à luz merece atenção porque engana: ela é logarítmica. Um tecido nota 6 não é “um pouco melhor” que um nota 5 — ele resiste aproximadamente ao dobro da exposição.

Gramatura não é resistência

Tecido mais pesado não é tecido mais resistente. Gramatura mede só massa por área, em g/m², e tem norma própria que não menciona resistência em lugar nenhum.

Onde o peso de fato entra é no setup do ensaio: pela ISO 12947-2, amostras acima de 500 g/m² são montadas sem a espuma de apoio. Ou seja, a gramatura decide como o corpo de prova é montado — quem dá a nota é a abrasão. E a própria norma manda escolher a amostra nos pontos fracos do padrão, como fios flutuantes: quem decide a durabilidade é a construção do tecido, não o peso dele.

Por que não existe fibra “mais nobre”

Procuramos hierarquia por fibra no padrão do setor — 61 páginas. A palavra linho aparece zero vez. Poliéster, zero. Bouclé, zero. O comitê que escreve essas regras é explícito: a resistência à abrasão é afetada por muitos fatores, e a fibra é apenas um deles, ao lado da construção, do acabamento e do uso.

Há exceções documentadas, e elas são específicas, não hierárquicas: o couro tem definição normativa de identidade (a camada de revestimento não pode passar de 0,15 mm, senão o material muda de nome); o poliuretano tem um modo de falha próprio, a hidrólise, que o tecido não tem; e os tecidos de pelo, como o veludo, têm um ensaio dedicado de fixação do pelo — a marca no veludo é comportamento previsto pela norma, não defeito.

O tecido que fica no sol e na chuva

Duas palavras são usadas como sinônimo e não são. Repelência é fenômeno de superfície, medida por borrifo — e o escopo da própria norma diz que ela não se destina a prever resistência à penetração de chuva. Impermeabilidade é outra coisa, com outro ensaio.

Para o sol, o ensaio de luz não joga água: quem simula sol com chuva é o ensaio de intemperismo artificial. E a régua de exposição muda conforme o uso — tecido de área externa é cobrado em centenas de horas, contra dezenas no uso interno.

Um cuidado de vocabulário que vale dinheiro: vários nomes que circulam como se fossem categorias técnicas de tecido impermeável são, na verdade, marcas registradas de fabricantes específicos. Pergunte pela propriedade medida e pela norma, não pelo nome comercial.

As três perguntas que comparam dois tecidos

  1. Por qual norma o número foi medido? ISO 12947-2 e ASTM D4157 produzem números que não se convertem.
  2. Sob qual carga? Estofamento é 12 kPa. Número medido a 9 kPa é de vestuário.
  3. Em qual escala? Solidez à luz é logarítmica; pilling e fricção vão de 1 a 5. Sem a escala, a nota não diz nada.

Se a resposta for a letra da faixa, você sabe apenas quanto aquele tecido custa naquela fábrica. O que ele aguenta é outra conversa — e o guia da densidade de espuma trata do que fica por baixo dele.

Falar com um consultor sobre o revestimento

O que passamos a pedir em cada cartela

Hoje a nossa biblioteca tem 1.080 amostras catalogadas e ligadas a 1.156 peças do catálogo — o cliente escolhe o revestimento vendo a cor e o toque. A partir desta leitura, a ficha de desempenho — norma do ensaio, carga, resultado de abrasão, pilling e solidez à luz — passa a ser o que pedimos a cada fábrica junto da cartela. Quem já entrega, entrega; quem não entrega, passa a ser perguntado.

Peças estofadas do catálogo

Perguntas frequentes sobre tecido de estofado

O que é faixa ou grupo de tecido?

É a organização de preço que cada fábrica cria para a sua cartela. Não existe norma que defina faixa, grupo ou categoria de tecido — procuramos nas diretrizes do setor e no regulamento têxtil e não há definição em nenhum.

O grupo A de uma marca é igual ao grupo A de outra?

Não. Cada fábrica nomeia como quer. Na nossa biblioteca encontramos 12 nomenclaturas diferentes em 20 fábricas — A, B, C, Gold, Rubi, Ouro, Premium, Signature, Master, Padrão e Solares.

O que significa Martindale?

É o ensaio de resistência à abrasão da série ISO 12947. O número que o mercado divulga vem da parte 2 e conta esfregos até o tecido romper.

Martindale 50.000 é bom?

Depende de duas coisas que quase nunca vêm escritas: a carga do ensaio e a norma. Estofamento é ensaiado a 12 kPa (795 g); 9 kPa é vestuário. Sem a carga, o número não é comparável.

Dá para converter Martindale em Wyzenbeek?

Não. A entidade que publica os dois números afirma que não há correlação entre eles. Abrasivo, movimento e carga são diferentes.

Tecido mais pesado é mais resistente?

Não. Gramatura mede massa por área e tem norma própria que não fala em resistência. No ensaio de abrasão, o peso só decide como a amostra é montada.

Qual a fibra mais resistente para sofá?

A pergunta não tem resposta por fibra. No padrão do setor, a resistência é atribuída a muitos fatores — construção, acabamento e uso —, e a fibra é apenas um deles.

Veludo marca?

Tecidos de pelo têm um ensaio dedicado de fixação do pelo, e a marca é comportamento previsto pela norma, não defeito. O que o ensaio separa é o pelo que volta com a escova do pelo que se solta.

Tecido impermeável e tecido repelente são a mesma coisa?

Não. Repelência é fenômeno de superfície, medida por borrifo, e a norma do ensaio diz expressamente que não se destina a prever resistência à penetração de chuva. Impermeabilidade é outra propriedade, com outro ensaio.

O que perguntar para comparar dois tecidos?

Três coisas: por qual norma o número foi medido, sob qual carga, e em qual escala. Com essas três respostas dá para comparar; sem elas, só dá para comparar preço.

Como medimos

Lemos a biblioteca de acabamentos da Toth Móveis em 25 de setembro de 2026: 119 grupos e 1.685 amostras no total, dos quais 41 grupos e 1.080 amostras são de tecido e couro, vindos de 20 fábricas. As nomenclaturas de faixa foram extraídas do nome de cada cartela. As definições e os ensaios citados vêm das normas indicadas ao longo do texto e das diretrizes públicas do setor; onde a régua é voluntária, o texto diz que é voluntária. Não realizamos ensaio de laboratório e não publicamos amostras: a cartela de cada fábrica é material dela. Guia publicado em setembro de 2026.

Voltar para o blog

Deixe um comentário

Os comentários precisam ser aprovados antes da publicação.